Acho que nunca escrevi sobre isso aqui no blog. Acho que porque eu tive muita dificuldade no início. Foram dias e dias de choro, nervosismo, ansiedade, cansaço e dor, muita dor.
Eu tenho o formato ideal do bico do seio, pontudinho e ótimo para o bebê mamar, dizia a médica. E cuidei durante toda a gravidez para não rachar, usei creminhos e tal. E tive leite, muito leite. Mas a Nina não sabia sugar. E ela chorava com fome e eu também, mas de dor e frustrada por não conseguirmos. E quando "aprendeu" a sugar, machucava o seio porque não tinha a "pega correta". O resultado: ferimento, sangue, dor.
Ela chorava com fome e eu chorava para amamentar porque doia, porque sangrava e não estava sendo um momento feliz nem pra mim e nem pra ela. Uma enfermeira, aliás duas, foram lá em casa para me acalmar, ensinar a forma correta [ eu já tinha até feito curso com o Tiago!] e aprender a massagear os seios já que estavam empedrados porque enchiam demais e a Marina não sugava direito. Cada massagem era como se eu levasse uma surra. Dor, dor, dor.
Uma bombinha elétrica foi comprada para me ajudar. Mais dor, dor e muita dor. Eu achava que seria assim pra sempre... e não foi. Graças a algum ser superior.
Os dias foram passando, a dor foi diminuindo [ou eu teria me acostumado?] e o ato de amamentar se tornou prazeroso. Mas por amamentá-la com leite materno eu quase não saia de casa. E isso me estressava um pouco. Daí tomei coragem e resolvi ir ao salão fazer as unhas. E usei a bombinha e guardava o leite na geladeira. De madrugada, o seio enchia mais e eu retirava e armazenava. E assim fui aprendendo a ser mãe, a usar o plano B.
Hoje a Marina está com dez meses e já não mama mais. Parou esses dias. E eu sinto muita falta disso tudo, do nosso momento. Era gostoso demais a gente se olhar, ela fazer carinho no meu rosto, segurar o pingente da minha correntinha... E eu a enchia de beijos. Vale um outro post sobre o assunto. Fico emocionada só em lembrar que não temos mais isso juntas.
Todo mundo sabe dos benefícios do aleitamento materno para o bebê. Mas a mãe ganha muito com este momento também. Acho que amamentar, no meu caso, fez com que eu tivesse a realização de tudo que eu imaginava o que seria ser mãe [aquela imagem da mulher segurando um bebê]. E eu agradeço várias pessoas, principalmente o Tiago, que me ajudou quando queria desistir, que me deu bronca, que me mostrou o que seria melhor para a nossa pequena.
E também a minha irmã Tricya, que esteve presente nos primeiros e mais difíceis dias da adaptação. Eu costumo dizer que doram os 30 dias mais complicados da minha vida. Eu tinha medo da Nina, medo de errar, medo da sensação que a vida/sobrevivência dela dependia de mim. #fantasmas.
Daí que dia desses, a Priscila Viana, jornalista querida lá de Aracaju, fez uma matéria sobre o tema e pegou um depoimento meu. Aí está o resultado! #achochique