quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sobre esperança

Foto tirada no centro de Porto de Galinhas/Pernambuco em uma das placas fofas que tem por lá


Levei a Nina ao consultório da pediatra em dezembro,  mais cheio que sempre, o que significa tempo e paciência. Encarei porque confio cegamente na médica dela e eu já estava atrasada na consulta dos dois anos.

Sem vontade de bater papo com outras mães e ficar disputando as gracinhas que os filhos fazem, sentei e esperei. Saí diversas vezes da sala lotada com a pequena para tomar um ar no corredor.  

Um cara chegou sozinho e não conseguiu mais vaga para o mês. Ele sentou ao meu lado e parecia perdido. Olhou para Nina e acertou em cheio a idade dela. Pediu minha opinião sobre a médica. Respondi. 

Ele tem um filho da mesma idade e descobriu “um problema que tem deixado a família muito triste” e queria falar com outros profissionais. Estava com uma agenda e me mostrou várias páginas preenchidas [a mão!] com nome, telefone, indicações, valores de pediatras. O retrato fiel do desespero de um pai.

Perguntei se ele não queria conversar com a pediatra, só pra ver se ela era especialista no assunto. Se fosse, valeria a pena marcar uma consulta ou ter uma opinião dela. E, por insistência minha, falei para ele passar na minha frente.

Não sei como foi a conversa dos dois. A última cena foi ele perguntando meu nome, agradecendo e segurando a porta para eu entrar na sala da médica. Ontem à noite, com insônia, lembrei da cena. E torci pra que ele não desista na procura. Tem [poucas] coisas nesta vida que vale a pena insistir.


Nenhum comentário: